“Experiências na Gestão da Frota Paulista” foi o tema do evento online promovido nesta terça-feira, 30 de setembro, pela Diretoria de Mobilidade Interna da Subsecretaria de Patrimônio do Estado, vinculada à Secretaria de Gestão e Governo Digital do Governo do Estado de São Paulo.
O evento, aberto por Paulo Vidal, subsecretário de Patrimônio do Estado, contou com as exposições de Eduardo Aggio de Sá, presidente do Detran SP, e do major Shelby Heleno da Silva, da 4ª Seção da Polícia Militar do Estado de São Paulo, responsável pelo assessoramento do comandante geral em assuntos de logística.
“Nos últimos anos, avançamos na superação da ótica patrimonial da gestão da frota, para a concepção do veículo como um instrumento de trabalho para a prestação de serviços públicos”, enfatizou Vidal na abertura. “A gestão eficiente é baseada em dados, eficiência e planejamento estratégico”, completou ele.
Segundo o subsecretário, o governador Tarcísio de Freitas e o secretário de Gestão e Governo Digital Caio Paes de Andrade apoiaram essa transformação por estarem empenhados em obter resultados concretos para a população paulista.
Eduardo Aggio iniciou sua apresentação com a exibição dos números impressionantes da frota controlada pelo Detran paulista: 36 milhões de veículos em circulação no estado, 450 mil transferências por mês, e 165 mil veículos oficiais registrados. Metade dessa frota possui certificados de registro digital e placas do Mercosul. São Paulo é, ainda, o único estado em que o número da placa requer classificação para o controle dos veículos durante o rodízio semanal de circulação de veículos.
“Estamos avançando nas negociações com as demais secretarias para que todo gestor de frota disponha de dados precisos e atualizados para tomar decisões mais assertivas”, declarou Aggio. E concluiu dizendo que o Detran precisa se tornar “invisível”. “Meu sucesso é medido por quanto vocês não se lembram de mim. Isso é sinal de que estamos funcionando bem”, esclareceu.
A seguir, o major Shelby igualmente apresentou números significativos da frota da Polícia Militar do Estado de São Paulo: em números aproximados, cerca de 17 mil veículos a serviço da polícia militar e mais 3 mil do Corpo de Bombeiros. Shelby abordou a gestão da frota sob a perspectiva do orçamento público, mediante anos expansivos e recessivos, demonstrando haver estabelecimento de critérios, parâmetros e prioridades para a construção da Proposta Orçamentária Setorial (POS) no tocante as demandas de aquisição de veículos novos.
O major revelou que a frota em operação no policiamento ostensivo possui parâmetro de renovação a cada cinco anos (objetivo), sendo que os veículos operacionais substituídos são transferidos para atividades administrativas por mais cinco anos. Assim, busca-se uma renovação integral da frota a cada dez anos. Ele ressaltou ainda que as montadoras brasileiras não produzem veículos destinados ao uso severo das polícias, como por exemplo ocorre nos EUA. Por isso, a durabilidade dos veículos é menor, uma vez que não possuem adaptações e redimensionamento de itens críticos, como suspensão e freio. Em resposta a questionamento realizado, disse que restrições orçamentárias impedem a renovação completa da frota em prazos menores, o que permitiria uma melhor avaliação do veículo arrolado para leilão e menor custeio de manutenção.
Da mesma forma, Shelby esclareceu pontos vinculados aos desafios da gestão de manutenção da frota policial, que diante dos anseios e necessidades contemporâneos da segurança pública, faz com que o gestor de segurança pública busque maximizar o efetivo operacional, de tal forma que as oficinas próprias da PM passem a ser reduzidas, buscando-se contratos com oficinas particulares. Frisou ainda que as instituições militares, diante do cumprimento constitucional, necessitam possuir autossuficiência em “N” setores, como o de manutenção, de forma a não ter seus serviços de policiamento impactados por uma paralização geral de trabalhadores, por exemplo.
Para ilustrar esse assunto, ele exibiu a cena “Carburador de Santana”, do filme Tropa de Elite, que apresenta o personagem Cabo Tião, mecânico da polícia, que de forma engraçada asseverou com propriedade o problema mecânico da viatura. “O Cabo Tião, diferentemente do Tião mecânico do bairro (ambos fictícios) responde ao regulamento disciplinar da PM e ao Código Penal Militar, ao passo que os contratados estão sujeitos apenas aos atos sancionatórios previstos na legislação.
Ele também apresentou um esboço do conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade, como sendo uma ferramenta de gestão de ativos, que busca o controle individual das falhas críticas, o que, em tese, pode proporcionar maior disponibilidade da frota e menor/melhor custo de manutenção.
No encerramento do evento, Daniel Bonatti, diretor da Diretoria de Mobilidade Interna, anunciou o início das operações do novo sistema de gerenciamento da frota MoveSP a partir de amanhã, 1º de outubro, que será integrado às bases de dados do Detran e irá agilizar o cadastramento de veículos e toda a gestão da frota.